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Festival de Cannes 2026: veja os vencedores da 79ª edição

Festival de Cannes 2026: veja os vencedores da 79ª edição
Festival de Cannes 2026: veja os vencedores da 79ª edição (Foto: Amélie Canon/FDC)

A 79ª edição do Festival de Cannes encerrou-se em 23 de maio, revelando os vencedores das principais categorias da premiação. O festival é considerado um dos eventos cinematográficos mais prestigiados e aguardados do mundo. O destaque, seja como indicado ou vencedor nas categorias, é importante para aumentar a visibilidade das produções, impulsionando as campanhas de divulgação dos próprios filmes e produtores, bem como a carreira do elenco e das demais pessoas envolvidas.

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Este ano o júri foi presidido por Park Chan-wook, sendo composto também por Chloé Zhao, Demi Moore, Isaach De Bankolé, Laura Wandel, Paul Laverty, Ruth Negga e Stellan Skarsgård.

Neste ano, a Palma de Ouro foi entregue a “Fjord”, dirigido por Cristian Mungiu. O filme acompanha um casal romeno-norueguês conservador enfrentando críticas ao se mudar para a cidade natal norueguesa da esposa. A produção é estrelada por Renate Reinsve (de “Valor Sentimental”; 2025), e Sebastian Stan (de “Eu, Tonya”; 2017), como o casal protagonista. Cristian Mungiu recebeu a Palma de Ouro da atriz Tilda Swinton (de “Conduta de Risco”; 2007).

“Fjord” celebra a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2026. (Foto: Joachim Tournebize/FDC)

O Festival de Cannes, por anteceder os prêmios da temporada de premiações, acaba revelando possíveis indicados nos demais eventos de cinema, culminando no Oscar, que encerra a temporada de premiações.

Nem sempre, porém, há coincidência entre os vencedores. O festival, normalmente realizado em maio de cada ano, ocorre muito tempo antes da corrida de premiações, que envolve o Globo de Ouro, o Critics Choice Awards, o Screen Actors Guild Awards (SAG), o British Academy Film Awards (BAFTA) e o Oscar.

Essa divergência é multifacetada e ocorre porque muitos filmes perdem força durante o circuito de premiações, que exige esforços individuais, coletivos e financiamento adequado para marcar presença nos eventos e demais espaços de visibilidade. Nas premiações, nem sempre se premia o melhor filme, mas aquele que realizou a campanha mais forte, sobretudo durante o período de votação para a escolha dos indicados e vencedores. Outro motivo bastante importante é que algumas premiações apresentam posicionamentos mais conservadores e excludentes, revelando tendência mais tradicional em relação às escolhas e aos perfis das produções reconhecidas.

Vale lembrar que “Moonlight: Sob a Luz do Luar” (2016) é o primeiro longa estrelado majoritariamente por atores e atrizes negros e com temática LGBTQIAPN+ a vencer a categoria de melhor filme, além de tornar Mahershala Ali o primeiro ator muçulmano a ganhar um Oscar de atuação. Isso ocorreu na 89ª edição do Oscar, em 2017. Essa temática nem sempre disputou as principais categorias da premiação e, quando esteve perto da vitória, não venceu, como foi o caso de “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005). Além disso, talvez não exista caso mais absurdo do que o de Hattie McDaniel, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante em 1940 por “…E o Vento Levou” (1939), que, mesmo com a atuação de destaque positivo amplamente elogiada, sofreu segregação racial durante a cerimônia por ser negra, sendo impedida de participar da entrega do prêmio.

Outro fator que contribui para essa divergência é a diferença de opiniões entre críticos, associações e votantes, algo plenamente plausível dentro do cinema e da arte. Isso contribui para que prêmios e festivais mantenham suas próprias características, identidades e critérios de avaliação.

Nos últimos anos, os vencedores na categoria de melhor filme em Cannes e no Oscar foram os seguintes: em 2019, “Parasita” venceu tanto o festival quanto o Oscar 2020.

O festival não ocorreu em 2020. A 73ª edição primeiro foi adiada e, posteriormente, cancelada oficialmente devido à crise mundial de covid-19, uma decisão bastante sensata. Após um ano sem o festival, em 2021, “Titane” foi o vencedor em Cannes, enquanto no Oscar 2022 o prêmio ficou com “CODA – No Ritmo do Coração”. Já em 2022, “Triângulo da Tristeza” venceu em Cannes, e a Academia entregou a estatueta dourada para “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” no Oscar 2023.

Em 2023, “Anatomia de uma Queda” venceu Cannes, enquanto no Oscar 2024 a vitória foi de “Oppenheimer”.

Em 2024, voltou a ocorrer a coincidência registrada alguns anos antes, e “Anora” venceu tanto o festival quanto o Oscar 2025.

Já em 2025, voltou a haver divergência. O vencedor do Festival de Cannes foi “Foi Apenas um Acidente”, enquanto a Academia entregou o Oscar para “Uma Batalha Após a Outra”, em 2026. “Foi Apenas um Acidente” não disputou a categoria de melhor filme, ficando de fora da lista dos dez indicados ao prêmio principal e concorrendo apenas na categoria de melhor filme internacional.

Na edição de 2026, o grande vencedor do Festival de Cannes foi “Fjord”. Para conhecer os vencedores do Oscar, teremos que esperar até o dia 14 de março de 2027, data agendada para a cerimônia de entrega das estatuetas.

É importante ressaltar que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (que elege os indicados e vencedores do Oscar) considera, em cada edição, filmes lançados no ano anterior, desde que as produções estejam dentro do período de elegibilidade estabelecido pelos regulamentos e cronograma. Dessa forma, um filme pode ter estreado no ano anterior, mas, caso o lançamento ocorra após o encerramento do período de votação, ficará de fora da disputa daquela edição. Diferentemente dessas premiações, o Festival de Cannes trabalha com estreias inéditas e lançamentos antecipados, funcionando muitas vezes como vitrine inicial para filmes que só entrarão oficialmente na temporada de premiações meses depois.

Confira os vencedores da 79ª edição do Festival de Cannes

  • Palma de Ouro: “Fjord”, de Cristian Mungiu
  • Grande Prêmio: Minotaur, de Andrey Zvyagintsev
  • Prêmio do Júri: “The Dreamed Adventure”, de Valeska Grisebach
  • Melhor atriz: Virginie Efira e Tao Okamoto por “All of a Sudden”
  • Melhor ator: Emmanuel Macchia e Valentin Campagne por “Coward”
  • Melhor roteiro: “A Man of His Time”, de Emmanuel Marre
  • Melhor Direção: Javier Calvo e Javier Ambrósi por “La Bola Negra”; e Pawel Pawlikowski por “Fatherland”
  • Melhor Curta-Metragem: “Para Los Contrincantes”, Federico Luis
  • Câmera de Ouro: “Ben’Imana” de Marie Clémentine Dusabejambo
  • Palma de Ouro para melhor curta-metragem: Para os adversários de Frederico Luis
  • Palma Queer: “Teenage Sex and Death at Camp Miasma”, de Jane Schoenbrun

A 79ª edição do Festival de Cannes foi marcada por discursos e posicionamentos políticos e emocionais, além de revelar filmes que abordam temáticas diversificadas, como imigração, política, relações interpessoais, vulnerabilidade emocional e homossexualidade. A maioria dos filmes exibidos no festival segue sem data de estreia nos cinemas brasileiros, mas já desperta o interesse do público. Além disso, os filmes já movimentam a imprensa especializada e os fãs em torno de previsões sobre possíveis indicados nas próximas premiações.

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