A cultura amazonense avançou em mais uma etapa de preservação e valorização de suas manifestações tradicionais. O Conselho de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Amazonas (Copham) aprovou, por unanimidade, na quinta-feira (28/05), durante a 48ª Sessão Plenária Ordinária, o parecer técnico favorável ao registro do Gambá como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Amazonas.
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O Gambá é uma expressão cultural e ritmo tradicional da Amazônia, caracterizado por uma celebração que reúne batuques, cantigas, danças e ritos religiosos, com forte ligação às comunidades ribeirinhas e às tradições populares do interior do Estado.
Reconhecimento reforça políticas de patrimônio cultural
Vinculado ao Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas), o Copham é o órgão responsável por deliberar sobre o tombamento e registro de bens materiais e imateriais.
A sessão foi realizada no Palacete Provincial, reunindo mestres e mestras da cultura popular, pesquisadores, representantes de instituições culturais, agentes públicos e sociedade civil. Na ocasião, houve a entrega simbólica da certificação que reconhece oficialmente o Gambá como patrimônio cultural do Amazonas.

Processo começou em 2011
Durante a plenária, o relator da Câmara de Patrimônio Artístico e Imaterial do Copham, Rafael Nascimento de Azevedo, apresentou o parecer técnico e destacou que o processo teve início em 2011, a partir de estudos da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.
Segundo ele, a retomada ganhou força nos últimos anos com a mobilização de mestres e mestras da cultura tradicional.O relator reforçou ainda o caráter estruturante do reconhecimento. “não é apenas um ato simbólico. Ele representa o início de políticas públicas permanentes de salvaguarda, valorização e continuidade dessa manifestação cultural.”
O parecer também destacou que o Gambá integra música, dança, oralidade, espiritualidade e práticas coletivas, com forte presença nas comunidades ribeirinhas do Amazonas.

Ampliação da política cultural no Estado
O documento apontou ainda que o reconhecimento amplia o olhar do patrimônio estadual para manifestações culturais imateriais ligadas às matrizes indígenas, negras e caboclas da formação social do Amazonas.
Aprovação unânime e salvaguarda
Após a leitura do parecer, os conselheiros aprovaram por unanimidade o registro. Entre os encaminhamentos, estão ações imediatas de salvaguarda, incluindo levantamento audiovisual e etnográfico, mapeamento de mestres e grupos tradicionais, além da construção de um plano participativo de preservação cultural. A resolução estabelece ainda que o registro provisório possui efeito administrativo de proteção e orientação das ações de salvaguarda.
Representando o Ministério da Cultura (Ministério da Cultura), Ruan Octávio destacou o compromisso institucional com a difusão da manifestação cultural. “O Gambá encanta, envolve e carrega ancestralidade. O compromisso agora é continuar levando o Gambá para o mundo inteiro.”
Mestres destacam ancestralidade e memória
A sessão foi marcada por depoimentos de mestres da cultura popular. O representante do Ponto de Cultura Pavulagi, mestre Ismael, destacou o significado profundo da manifestação. “Gambá não é só instrumento, não é só ritmo, não é apenas uma roda de dança. Gambá é vida, é memória, é ancestralidade. É o remar da canoa, é o amanhecer do rio, é o rezar, é o viver na floresta.”
Segundo ele, o reconhecimento representa a valorização de uma tradição mantida por gerações e reforça a continuidade cultural.
Gambá patrimônio imaterial Amazonas: preservação e identidade cultural
Com a aprovação unânime, o Copham oficializa o Gambá como patrimônio cultural de relevante interesse para o Estado do Amazonas, fortalecendo as políticas de preservação da cultura popular e ampliando as ações de salvaguarda.



