Como uma boa millenium, assisti Anaconda (1997) quando era criança/pré-adolescente e lembro de ter medo e, ao mesmo tempo, achar um filme muito divertido, absurdo. Hoje, a obra é considerada por alguns como um clássico cult da década de 90. Apostando nessa nostalgia, Anaconda (2025) chega aos cinemas, sob a direção de Tom Gormican, protagonizado pela dupla conhecida pelo humor Jack Black e Paul Rudd.
Nesse reboot/ refilmagem/ homenagem, o terror e sustos da obra anterior dá lugar à comédia nonsense, em um filme que aposta no absurdo e no humor.
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O longa acompanha Doug (Jack Black), Griff (Paul Rudd), Kenny (Steve Zahn) e Claire (Thandiwe Newton), um grupo de amigos que viaja até a Amazônia com a missão de filmar um remake do Anaconda original.
A trama serve como pano de fundo para uma série de situações caóticas, sátiras e críticas intrínsecas, especialmente à obsessão de Hollywood em abordar “temas importantes” como sinônimo de relevância. O filme toca
em assuntos como exploração e garimpo, sempre com o toque de humor e exagero.
Visualmente, o uso excessivo de efeitos digitais impede que a ameaça da cobra gigante acabe gerando um suspense e medo real. A criatura não chega a assustar como no original, mas o longa parece pouco interessado nisso.
Anaconda (2025) se assume como uma comédia sem medo de rir de si mesma, recheada de cenas deliberadamente absurdas, a minha favorita é a sequência do javali e do esquilo, além de referências ao cinema de terror, incluindo menções diretas a Jordan Peele. Essa paixão pelo gênero aparece especialmente no personagem de Jack Black, um produtor de filmes de casamento com ideias surpreendentemente sombrias.
Apesar da experiência no gênero comédia, a atuação de Jack Black tem pouco peso na trama, ficando a cargo de Paul Rudd algumas boas cenas. Inclusive o ator parece mais confortável em cena. Para nós brasileiros, o longa ganha um toque especial com Selton Mello no papel de Santiago.
Recém-descoberto pelo público internacional, o ator entrega um timing cômico afiado, com um inglês seguro e pouco sotaque, arrancando gargalhadas como um guia local que, curiosamente, tem uma cobra de estimação.
Ao final, Anaconda (2025) quer divertir, homenagear o passado e rir do próprio absurdo. E, dentro dessa proposta, cumpre o que promete.



