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‘A Cronologia da Água’ expõe sensibilidade feminina em cinebiografia experimental

Crítica analisa filme dirigido por Kristen Stewart e destaca trajetória de atores que migraram para a direção

'A Cronologia da Água' expõe sensibilidade feminina em cinebiografia experimental
'A Cronologia da Água' expõe sensibilidade feminina em cinebiografia experimental (Foto: Divulgação)

Na indústria cinematográfica, é comum que os atores não se atentem a desempenhar apenas a sua profissão, pois, durante a atuação no projeto em que participam, muitos deles observam e aprendem, no decorrer de suas carreiras, como um diretor comanda um filme.

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Esses aprendizados, adquiridos ao mesmo tempo em que ocorre o seu amadurecimento profissional na área, resultam na oportunidade de ter a chance de dirigir e produzir algo, como ocorreu com o renomado ator Clint Eastwood e com a diretora Ida Lupino, exemplos dentro do cinema americano que usufruíram dos ensinamentos adquiridos em suas respectivas carreiras na atuação.

Da mesma forma em que esses artistas consolidaram os seus nomes nas duas esferas da sétima arte, a atriz Kristen Stewart, após trabalhar com cineastas importantes de diversos países, como David Cronenberg, Pablo Larraín e Olivier Assayas, estreia na direção com o filme “A Cronologia da Água”, adaptação apresentada oficialmente na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2025, desenvolvida a partir do livro de memórias de mesmo nome, escrito por Lidia Yuknavitch.

Ao escolher, depois de ler a obra mais conhecida da autora, Kristen explicou a decisão de levar o projeto para as telonas: “Em A Cronologia da Água, o que me fisgou foi ver uma história se quebrar por inteiro e, ainda assim, tentar costurá-la de volta. Foi aí que eu soube que esse precisava ser o meu primeiro filme”.

Kristen Stewart (esquerda) estreou como diretora em A Cronologia da Água (Foto: Divulgação)

A partir disso e do seu olhar feminino, ela criou uma cinebiografia experimental que se afasta dos moldes tradicionais vistos em Hollywood, que parecem mais uma coletânea dos melhores momentos da biografia da pessoa retratada.

Aqui, ela transporta, de forma não linear, os altos e baixos da juventude de Lidia, que, desde muito cedo, enfrentou abusos sexuais do seu pai e a pressão de alcançar o sucesso na natação, que foi minada por seus traumas, posteriormente descontados em álcool e drogas na universidade. Entretanto, no meio de todo esse furacão que existia em seu lar, ela transportava todo o seu sofrimento vivido em pouquíssimo tempo para o papel, de forma direta, o que espantava alguns leitores.

O caos que residia em sua cabeça e em sua forma de escrever foi compreendido por Ken Kesey, autor de “Um Estranho no Ninho”, que tece uma crítica aos hospitais psiquiátricos dos anos 50 e 60. A sua sensibilidade foi fundamental para o aprimoramento da escrita de Lidia, que finalmente se encontrou na literatura e passou a ser reconhecida por seu trabalho, conhecido por transformar o seu sofrimento pessoal em arte que dá voz para as inúmeras vítimas de abusos sexuais.

Confira o trailer do filme:

*Por Nicolly Teixeira

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